Adestrador faz paralelo entre cães e lutadores e reforça importância do treinamento

Publicada: 16/01/2026 - 19:22


Adestrador Bernardo fez paralelo entre os trabalhos de adestrador e treinador (Foto; Reprodução)
Adestrador Bernardo fez paralelo entre os trabalhos de adestrador e treinador (Foto; Reprodução)

No mundo das artes marciais, força sem disciplina nunca foi sinônimo de excelência – e com os cães, a lógica é a mesma. Para o adestrador Bernardo Repsold, a paixão pelo comportamento animal iniciou ainda em 2019, quando cursava Veterinária. “Começou quando eu ainda fazia faculdade, por um amigo que já trabalhava com adestramento. Como era uma área que não exigia estar formado, me interessei, gostei muito e continuei”, conta. Desde então, ele transformou o interesse em profissão e hoje vive exclusivamente do adestramento.

Atuando desde 2019, Bernardo destaca que uma das maiores recompensas do trabalho é a reabilitação de cães considerados agressivos. “Muitos cães, por erro dos donos, acabam desenvolvendo medo e agressividade. Alguns se tornam incompatíveis com a vida em sociedade e, se não forem reabilitados, o destino pode ser abandono ou até eutanásia”, explicou. Segundo ele, o adestramento responsável oferece uma segunda chance: “Nosso papel é fundamental para que esses cães continuem vivos e tenham uma vida digna”.

Assim como nas lutas, onde o atleta depende do treinador e do próprio comprometimento, no adestramento o dono é parte essencial do processo. Para Bernardo, essa é também a maior dificuldade da profissão. “Não existe adestramento sem participação do dono. Ele precisa mudar hábitos, criar uma boa rotina e executar os exercícios. Se o dono não muda, o cachorro não muda”, afirma. A comparação é direta: não existe campeão sem disciplina fora do treino.

Sobre a fama de agressividade de certas raças, como o pitbull, que ganhou fama através dos “pit boys” nos anos 90, Bernardo é direto e técnico. “O pitbull foi criado para rinha com outros cães, então tem sim uma predisposição maior à agressividade quando comparado a raças de companhia. Mas o que realmente influencia se o cão vai apresentar esse comportamento é muito mais a criação do que a raça”.

Por fim, o adestrador reforça que existe, sim, discriminação contra determinadas raças – e o pitbull é a maior vítima desse preconceito -, assim como ainda é possível encontrar preconceito na luta.

“Muita gente vê pitbull e já associa a perigo, agressividade ou ‘cachorro ruim’. Isso vem do medo, da desinformação e de casos isolados que viralizam”, diz. Para quem pensa em criar um cão desse porte, o conselho é claro: “Procure um profissional desde cedo. O acompanhamento faz toda diferença. Não espere os problemas aparecerem. Com orientação correta, a vida com o seu cão será muito mais fácil”.

Recomendado para você


Comentários