Jiu-jitsu brasileiro se torna ferramenta de auxílio à educação e antibullying nos EUA

Publicada: 05/10/2022 - 11:48


Faixa-preta cearense Ginkles Lucas da Silva falou sobre a popularidade da arte marcial entre as crianças

Ginkles ao lado do 13 vezes campeão mundial Marcus Buchecha (foto: Arquivo Pessoal)

por Leonardo Freitas

Quando adaptado por Carlos Gracie, o jiu-jitsu, que veio do Japão e se tornou brasileiro, tinha como principal objetivo dar autoconfiança a seu praticante. Através das alavancas do corpo, a arte marcial já ensinava que o mais fraco pode, sim, levar vantagem em um combate contra o mais forte. Com o passar das décadas, a dita arte suave, que recebeu essa alcunha justamente por ser baseada em movimentos livres, sem que seja necessária a imposição de força, se tornou uma modalidade esportiva, que seguiu sendo difundida por membros da família Gracie para os quatro cantos do mundo.

Hoje, além de ser um esporte bastante rentável no âmbito competitivo, o jiu-jitsu brasileiro também se tornou uma ferramenta socioeducativa. Dos EUA, passando por Europa e Ásia, a modalidade é ensinada a crianças, mulheres e a agentes de segurança, da polícia às forças militares. Essa expansão ocorreu, claro, principalmente pela família Gracie, mas também com o auxílio de centenas de faixas-pretas brasileiros que deixaram a vida no país natal para viver o desafio de repassar os ensinamentos técnicos e filosóficos do jiu-jitsu aos estrangeiros. Um desses responsáveis é o cearense Ginkles Lucas da Silva.

De seus 46 anos, 23 são dedicados à carreira de professor e treinador de jiu-jitsu, formando, inclusive, campeões em sua região. Como competidor, ele conquistou diversos títulos importantes, como o pentacampeonato do Nordeste e do Norte brasileiro, um bicampeonato pan-americano pela CBJE, um título nacional pela CBLP e uma terceira colocação no Mundial da CBJJO. Porém, ele afirma que nenhuma dessas medalhas é mais valiosa que o trabalho que ele desenvolve como professor de jiu-jitsu.

“A formação de novos professores e multiplicadores dos ensinamentos da arte suave é meu maior objetivo. Acredito nos fundamentos das artes marciais, quero que todos possam conhecer a essência do jiu-jítsu, não apenas como luta, mas principalmente como ferramenta de transformação de caráter, seja em casa, trabalho ou nas ruas. Amo o que faço e tenho formulado nos anos de ensino uma maneira ímpar e pedagógica de ensinar”, destacou o faixa-preta.

“A maior vitória para mim, e creio que para maioria dos professores, é ver seu aluno mudando fisicamente e mentalmente: sua postura, musculatura, flexibilidade, caráter… Sabemos que muitos estão numa zona de risco e que precisam de uma luz, um caminho, uma motivação, e o jiu-jítsu lhe dá tudo isso e mais um pouco”, complementou o professor formado pelo mestre Francisco Sá, de Fortaleza.

No Brasil, o jiu-jitsu é ensinado em diversas comunidades carentes, mostrando a crianças e jovens um caminho possível, não apenas como atleta, mas também como professor. O próprio Ginkles Lucas da Silva fez parte de uma dessas ações em seu estado.

“Tive junto à polícia militar um projeto social e pude acompanhar de perto as mudanças incríveis nos alunos, seja no foco, no respeito, na autoconfiança, elementos que fizeram alguns até focar nos estudos e conseguir a aprovação no vestibular. Autocontrole e defesa pessoal, isso tudo os torna mais confiantes para os desafios da vida”, testemunha.

Nos EUA, a modalidade vem se tornando cada vez mais popular. Hoje é possível encontrar academias em praticamente todas as cidades, em muitas delas com várias opções no mesmo bairro. Muitos pais vêm confiando ao jiu-jitsu a formação de seus filhos, principalmente na defesa do bullying.

“Aqui na América o jiu-jítsu é a modalidade marcial que mais cresce, graças à preocupação com a violência e por consequência a autodefesa, uma vez que não tem socos e chutes, e isso aproxima os pais e os filhos da modalidade. Cada vez mais os pais entendem que é necessário que os filhos tenham autoconfiança e autocontrole para se desvencilhar de casos de bullying, que infelizmente ainda é uma prática comum no mundo todo”, explicou.


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